10 de janeiro de 2018




                          VISITA

Ele dormia, um sono profundo, nem roncava, uma voz lhe dizia: Vá a porta, não tenha medo, abra tranquilo, ela vem te ver, também uma peça muito antiga, querida. É dela aquela na sala, sozinha, solitária, clarinha, os fios de ouro embelezam sua soberania. Os vidros de cristais ainda mais irradiam. Luz penetrante realçam mais, apesar de vazia. Se a Rainha pedir, diga que sempre será sua, não possível de resgatar dali. Foi de sua mãe, agora Marília se foi também. Quem ficou resgatou sua linda cristaleira senhora Rainha. Não a leves, de forma impura, tropeçando pelos corredores transportando de maneira ímpia... Rainha, deixa-a ai, bem quietinha, cuidaremos dela, como se dela descendessemos. Sei que é sonho, talvez não seja real. Só sei que ele acordou, atendeu na porta. Humildemente te agradeço a visita. Venha sempre. Sempre receberá. Sua cristaleira jamais será vendida... Venha enquanto nós tivermos vida. Sua peça rara, de família, será defendida na sala de estar. Brilhará como se tivesse ela mesmo vida. Aquilo que nos move, nos conforta, é seiva pura, sangue corrente nas veias, não azul, mas de Rainha...

Autoria= Gino Marson     04/01/2018   0:28

30 de dezembro de 2017





                             SEMPRE IMORTAL

O amor verdadeiro nunca morre.  É a essência da vida...

Autoria= Gino Marson    30/12/2017     1:20

28 de dezembro de 2017






                                   IMORTAL

Um homem pode perder tudo na vida. Imóveis, dinheiro, carros, emprego, amigos que nunca foram de verdade. Na boa idade, depois de ter apreendido muito, jamais perderá a ternura, o fogo do amor; dar-se ao máximo, fazer feliz alguém muito especial. Aquela que foi escolhida, ou  quem ela escolheu. Sorrirão sempre, todos os dias. Ele vai amá-la, como se ele mesmo ela fosse. Ai que perder tudo; não a dignidade e honestidade. Ai que conservar todo o carinho, à mulher que elegeu ser sua para sempre, eternamente, mesmo que ela porventura não queira, estará no coração, nas suas lembranças, dentro de sua alma. O amor verdadeiro nunca morre, é a essência da vida...

Autoria= Gino Marson      23/11/2017     14:55

22 de dezembro de 2017




                             MODOS

Não julgues de supetão. A moeda sempre tem dois lados. As relações duas opiniões...

Autoria= Gino Marson     20/12/2017       18:36

15 de dezembro de 2017




                              DESCONSOLADO

Como é que vou sobreviver, sozinho, como um solteirão, em um apartamento enorme, muito simples, na Quinta Avenida, no centro de New York, sem meu wisky, e o gelo importado dos Alpes Suiços. Um homem sem dinheiro, só nos dólares, vivendo abandonado nessa Megalópole... É um ultraje, uma falta de consideração. Uma ignomínia... Trabalho aqui nessa enorme Metrópole, uma grande multinacional que me paga a peso de ouro, agora sem um vintém para depositar meu mísero salário.O que aconteceu no meu país? Lá quando ainda era jovem, vivia nas praias, bebia as piores bebidas que um ser humano pode experimentar. Agora ganhando trinta mil dólares mensais, não consigo tomar minha bebida preferida. Estou duro! Na verdadeira acepção da palavra. Duro literalmente!.. Que país é esse que deixa seus filhos morrendo de fome, sem um caviar, um licorzinho francês para ser saboreado. Uma crise dos diabos, sempre causada pelos ladrões de casaca, esses moribundos políticos que temos lá... O povo nunca reage, nem parece que herdou os ensinamentos da revolução de 1789. É preciso reagir, invadir aqueles palácios suntuosos, torná-los realmente públicos, expulsar a chicotadas aqueles vermes traidores, enterrá-los todos em uma cova rasa e coletiva, depois de julgá-los por traição ao povo ordeiro, sem direito algum... O exemplo deixaria muitos outros mijando na cueca, suando frio ao tomar uma atitude absurda e antipopular... E eu aqui, nesta imensa N. York, sem uns míseros dólares para comprar meu Wisky...  Que terra, que planeta injusto; vou me mudar para Marte, sei lá, até outro planeta que possa ser habitado dignamente, vivido com paz e amor; é o que nos falta neste momento...

Autoria= Gino Marson     04/12/2017     19:52 

30 de novembro de 2017




                         SILÊNCIO

Mudo, calado
Escutava o arfar
Peito falava uma
Linguagem estranha, sofrida
Mulher bem em frente
Olhava, observava,
Calada, lágrimas saiam
Mornas, poucas, calculadas
O dinheiro não tinha,
Faltava, o emprego, o trabalho
O filho comia, mal, pouco
A escola tinha
Repartia, muitos precisavam
O feijão contado
Caia na vasilha de metal
Velha, de muito atrás ganhara
Velho não cozinhava
O cachorro nem se fala
Chorava com rebeldia
Tudo pairava, tudo
Do nada se construia
Não era a morte, nem o fim
Amanhã seria menos ruim
Amanhã, até Deus
Vai se lembrar de mim
A vida não cessa
Apenas um momento
Só um momento
Tudo passa, tudo passa
Até o tempo sem fim
Lembrar-se-a de mim
Arrumo uma trouxa
Muito pouca roupa
Mudo, caminhando aos poucos
Mudarei os que caminham
Caminhando comigo, com ele
Juntos mudaremos
O mundo!..

Autoria= Gino Marson     24/11/2017   1:26

10 de novembro de 2017



                            QUE FAZER?

Pensamos mais do que agimos. De forma inusitada, agimos muitas vezes mais com nossas vontades momentâneas, sem refletir profundamente. Nos jogamos por assim dizer, nos atiramos de cabeça naquilo que dá vontade. Os outros não nos importa. Assustamos até com nossas atitudes. Isso aconteceu com Genival. Veio de uma região longínqua, não teve muita informação; procurava progredir. Era matuto do agreste. Cabra arretado, bicho macho da mulesta, esses que querem vencer, aprimorar-se com a vida, aprender com ela. Estava aqui na grande cidade a muito tempo. Não conhecia o litoral. Até as praias lhe pareciam um mistério. Na sua terra natal não teve oportunidade  de conhecê-las, embora elas fossem em abundância. Uma amiga o convidou para esse passeio maravilhoso. Era sua chance vital, ver o mar, tocá-lo com seus olhos, seu pensamento. Senti-lo bem de perto, pisar sua areia, provar de sua salinidade. Foi pela primeira vez. A viagem até que durou pouco, foi curta. Logo chegou. Um prédio muito bonito, apesar de sua idade. Bem defronte a praia. Mas o inédito sempre acontece, para todos um dia na vida. Perdeu-se, não lembrava o andar, nem sequer o número do apartamento, estava confuso. O cachorro que o acompanhava ficou amarrado também, como ele se sentia, lá em baixo, só, Genival amarrado em suas dúvidas. Tentou soltar o cachorro para subirem juntos, foi mordido. Primeiro revés. Seu pensamento trancou, parecia não funcionar. Resolveu subir sozinho. Pior... Seu pensamento o traiu. Não lembrava o andar. Acho que era o décimo... Lá foi, tentou descobrir o número do apartamento; erro crasso, a memória o atraiçoou. Assustou a todos naquele andar, até uma senhora de setenta anos, por sinal sua idade.
Aterrorizou, na inocência do seu procurar. Houve muita reclamação até ser resgatado. O velho Genival, esvaindo-se em sangue, os dedos mordidos por um canino, perdido no pátio, pois já havia descido. Quase uma tragédia, se não fosse cômico seu comportamento. Como é que pode vir de tão longe, viver na cidade grande, aprender a trabalhar, ser um cidadão respeitado, cair na armadilha da memória, falso pensamento, justamente no seu mais lindo passeio. A praia, o mar, continuou plácido, singelo, como ele encontrou, sua única experiência, mais esperada, na singeleza do seu ser, seu coração bom, sua alma pura...

Autoria= Gino Marson     02/11/2017   15:13