17 de setembro de 2017





                              ETERNO

O mendigo tem
O cão
Sempre
Um pedaço de pão
Duro, empedrado
Como cimento
Do chão, chorado
Embolado
Com pedras
Areia de montão
O cachorro late
Pede água
Chora sua sina
Seu dono triste
Segue a rotina
Puxa a carroça
Entulhada
As sobras
Da sociedade
Penduradas
Parecendo joias
A serem transformadas
O cachorro late
Pedindo água
O lamento segue
Sempre igual
Não muda nada...

Autoria= Gino Marson   17/09/2017    2:10

3 de setembro de 2017



                              POBRE PARA POBRE

--- Tenho horror a pobre!
A ideia começa sempre assim. Hilária é lógico. Nem todos podem ser ricos. Digo de dinheiro e bens materiais. De outras formas encontramos muitos ricos, muitas almas aureoladas, aquelas que são abençoadas, nunca deslizam nos seus principais procederes...
Odeio pobre quando ele guarda aqueles araminhos, capeados de plástico, para amarrar o saquinho que ela dá a vizinha com bolinhos amanhecidos de arroz, fritados no dia anterior e diz:
--- Leva vizinha querida: Fritei ontem, estão fresquinhos, é para você e as crianças...
Odeio pobre quando guarda a borra do café para fazer máscara de beleza, ainda coloca no Face para servir de exemplo. Escreve no Status:
--- Podem fazer assim... Fiquei mais jovem! Estou mais linda! É só passar a borra no rosto e ficar deitada duas horas...
E o serviço e a louça suja de ontem esperando na pia...
Tenho horror a pobre que sai com tênis velho só porque está chovendo. É só para não molhar o novo "De marca" que pagou em dez vezes no cartão. E aquele dentro do busão falando segredos no celular e todos estão escutando, tão alto sua voz. Até o motorista lá na frente fica sabendo...
O pobre sempre é criticado... Mas o rico também comete suas horripilantes gafes. Ninguém vê. Ele sempre anda meio escondido... Só seus pares percebem suas bolas fora! É nosso mundinho aqui que oferece esses sorrisos, essas alegrias com motivos humanos, erros que cometemos a todos instantes... 
O pobre diz: Sou pobre mais sou feliz! Não tenho dinheiro, sou humilde de coração e espírito! Como se os ricos também não tivessem coração e espírito...
Há sempre essa luta para ser pobre ou rico. O bom seria que todos fossem ricos; de dinheiro e de espírito. O nosso planeta ficaria mais rico, todos se dariam, ninguém criticaria...
Falo isso, porem sem ufania: Sou pobre, mas não de espírito. Levo a vida como devo, com alegria, sorrisos. Amo e sou amado. Quer viver com mais alegria!
O que de resto for brega ou chic, pura nostalgia. Acontece, aconteceu, é de nossas vidas. Agora, tudo poderia ser diferente; todos ricos em tudo, assim o paraíso da Bíblia se confirmaria... Vamos fazer da vida um paraíso, um mar de alegrias, assim findaremos afogados nas águas, sem sofrimento, sorrindo... sorrindo...

Autoria= Gino Marson     02-09-2017      14:11



                      DESVENDANDO

O coração de uma mulher é um oceano. Estão escondidos os mais profundos mistérios, tesouros que nunca serão desvendados. São guardados com chaves de ternura e carinho. Dai surge o amor verdadeiro. Só ela sabe como desvendá-lo, dizer de como é. Não tente arrancar à força... Espere, será informado no devido tempo; àquele que não sabe contar... Vem pela graça, sorriso. No tempo só dela...

Autoria= Gino Marson    16/02/2015   17:44

27 de agosto de 2017





                             ABRIR-SE

Mesmo os cactus mais espinhosos dão flores lindas. Vivem no deserto, florescem na aridez , não reclamam, só embelezam... É a generosidade, o amor; ele concentra-se em Deus e em quem é bom aqui nesse planeta... Se és generosa, cheia de bondade, mesmo nos seus dias mais espinhosos, quando não quer ver  nenhum ser pela frente, lembra-te das flores do cactus, abra seu coração, procure florir a vida de quem está perto e sabe também ser generoso, poderás florir seus lindos dias, cheios de luminosidade, do sol, de suas risadas e conversas gostosas, cheias de malícias as vezes, mas sempre para te alegrar...

Autoria= Gino Marson    24/08/2017   13:16


26 de agosto de 2017





                             ENSINAMENTO

Por esse grande amor
Minhas lágrimas de alegria vertem
Por esse carinho
Recebo...
O melhor de mim transparece
E nesta forma 
Canina de amar
Receber sempre
Depois doar
Me inspiro
Descubro
Ser manso, ter paz
Acreditar no ser humano
Inteligência emocional
Racional
Deus os criou
Dá nos força , fé
Nos ensina
Mais a amar
Do jeito especial
Como eles amam
Fica contido, entranhado
No humano que somos
Sem esquece-los
Jamais... 

Autoria= Mary (Uma mulher sensível)  21/08/2017  9:54


21 de agosto de 2017




                                     SOZINHO

O mundo o que seria?
Só as mulheres
Seriam olhadas, amadas?
Mas só as mulheres
Onde estariam
Os homens
No planeta
Só as mulheres
Não seriam cotejadas
Só os homens
Sem as mulheres
Que seria da terra
Sem elas, solidão
Nada restaria
Um imenso
Tamanho, enorme
Uma cisão
E eu aqui
Falando delas...

Autoria= Gino Marson    18/08/2017    1:11

13 de agosto de 2017




                               SAGRADO

--- Pai, por favor! Pelo que é sagrado...Não vai...
Dizia a filha desesperada ao pai que não lhe dava ouvidos.
--- Sempre saio nas sextas. Faz muito tempo que caço nesses matos, pesco também. Sempre nas sextas, assim garanto a mistura para o sábado e domingo...
--- Mas hoje é sexta feira Santa, dia da morte dele, diferente dos dias comuns. --- Insistia a filha, quase suplicando. 
--- Morte de quem? Todo dia morre gente neste mundo! É só mais um final de semana. Vou e volto com uma boa caça e um pescado. Está calor, hoje as trairas estão nervosas, boas para fisgar. 
--- Pai! Pai! Me ouça! Não vai... Não faça isso... 
--- Boa noite filha. Vai dormir. De madrugada volto com o embornal cheio.
E foi assim. Entocou-se no mato, escafedeu-se por entre as sombras, as árvores pareciam falar, sombreavam e formavam figuras com o luar cobrindo suas frondes emaranhadas umas nas outras. Bonifácio  não era muito velho ainda, uma pele queimada pelo sol, magro, alto, todo dia trabalhava na labuta do carvão. Quase não tinha descanso. Era queimando a lenha e produzindo o carvão nas caieiras. Foi embrenhando-se  mato adentro, não levava receios. De repente parou, escutou um rugido, alguns barulhos, era o que esperava... Um bugio grande estava logo ali; em cima de uns galhos grossos da árvore. Olhou, dava uma boa mira, podia abatê-lo com facilidade. Apontou a arma. Era uma espingarda! Fez pontaria certa... Não atirou logo. Sentiu um arrepio, um tremor no corpo todo. Não era bugio, era bugia. Tirou seu filhinho de trás, estava esganchado nas suas costas. Mostrou e começou a chorar... Parecia pedir que Bonifácio não fizesse aquilo, não a matasse, tinha que criar seu filho, era ainda um bebê, muito novo, sozinho morreria de fome no mato... Bonifácio baixou a arma, pensou nos lamentos da filha, recuou, olhou bem, lembrou o aniversariante que morreu para dar testemunho de fé, automaticamente fez sinal da cruz, chorou também, ali mesmo. Num gesto só, único, daqueles que compreendem, lembrou da finada mulher, da filha que ficou em prantos, disse em voz alta no meio das árvores, na semi escuridão da noite de sexta feira Santa:
--- Nunca mais caço, não vou matar mais os animais indefesos... Essa porcaria de espingarda vou jogar fora. Estou livre da maldade!

Hoje e dia dos pais. Bonifácio, meu avo, era para mim e meus irmãos um segundo pai. Tão bom eram seus conselhos a nos pequeninos...

Autoria= Gino Marson      13/08/2017     00:35