17 de abril de 2014



                   BILU

Eu tinha um cachorro de nome Bilu. Quando chegava, ele vinha
pulando, fazendo festa, correndo em volta de mim, até   chorava
de alegria. Quase me derrubava. É... Nem   um  amigo,  daqueles
que se diz, era fiel como o Bilu. Incondicional, até quando doente,
fazia festa quase sem poder. Nem gente, conseguia mostrar   bem
querer, carinho. Só Bilu sabia fazer isso. Falava... É verdade! Um jeito só dele. Contava as peripécias do dia, como fazia, traquinices
sem limites, com reclamações de quem o conhecia.
Difícil foi fazer ele ler e escrever.   Cabeça   dura!   Eu   ensinava,
ensinava, vezes ao dia, sem conta. Resistia... Só falava, tagarelava
até. Ler e escrever, dava para o gasto.Nem esforço fazia. Aprender
mais... Que nada! Tem quem fazia!...
Um dia... Cinzentado, morno, nem   chovia.    Parece   que    tudo
cúmplice, sem avisar, levou Bilu, já de tardinha. Fiquei    com uma
raiva, escomunguei tudo, esmurrei a casinha, chorei, perdi a noção.
Falei alto, quase gritei. Acho que me ouvia... Os bons vão na frente,
assim de repente, sem avisar, retiram-se da vida.    As   tranqueiras
ficam, assombrando tudo. Não te apoquente não!    Você   vai   na
frente, abrindo caminho, isso já está decidido, ainda sem permissão
minha. Quando eu me for, sem poder ficar, nem mais um dia, vou
te ver de novo lá. Aí, nós vamos brincar, como nunca se   brincou,
daquele jeito que se fazia antes, sem receios,    sem   preconceitos.
Como homem   e  mulher   se   amam,  esquecendo   os barrulhos,
os desencantos. Quero ver quem vai impedir? Teremos a eternidade
toda para amar, conversar, ler e escrever.    Vê    se   não      some,
desaparece. Me espera lá na frente!...

Autoria= Gino Marson   16/03/2014 

                       
                      Um Pequeno Adendo

Quando somos criança, depois de adulto também, as alegrias são muitas, os dias amargos são outros tantos. Aquele amigo que podemos chorar perto, encostar o peito, são poucos. Muitas vezes, nem um irmão de verdade, uma mulher, um marido, consola e enxuga nosso choro. Aí... É que entra esse verdadeiro amigo. Vai com você ao fundo... Lá no fundo... Onde a alma se recolhe e ameniza seu choro... 
Aos amigos que são uma extensão de mim, enquanto possível for...

Sábado, 29 de março de 2014           14:58
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário